quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Baga e Paris...



Baga e Paris...

Nem os cartunistas assassinados na França são mais ou menos importantes que as vítimas que sofreram uma verdadeira barbárie e chacina na Nigéria, e vice versa.

Mas fica evidente a desigualdade sobre todos os aspectos, o quão latente e feroz ela é.

O ocorrido na Nigéria já não se noticia mais, se é que já o foi um dia com grande proporção e impacto, afinal a situação não é "nova", se tornou recorrente, comum, INDIFERENTE E BANAL para a mídia especializada e para os "líderes" mundiais que deram as mãos pelo ocorrido na França, inclusive pelo maior "líder" do país africano.


Abril é conhecido como o mês mais triste e macabro na história da humanidade seja pelo início, pela duração ou pelo término das maiores tragédias e carnificinas, mas pelo visto, nem mesmo o doce novembro resistirá, parece que o calendário inteiro se tornará uma grande mancha de sangue...

Paz... Paz... Paz...

João Vicente Ferreira Neto

Terror, vingança, morte e paz



Terror, vingança, morte e paz

Óbvio que o que os irmãos Chérif e Said Kouachi fizeram é algo chocante, se é que foram eles mesmos. É que sou tão incrédulo que as vezes nem a pessoa confessando eu acredito, quanto mais a mídia em geral, e óbvio, os grupos políticos que atuam nos bastidores.

Sinceramente se foram eles ou não, uma coisa é certa, pagar a morte com mais mortes é uma tolice sem precedentes. E sem esta que não é possível um diálogo com este pessoal. A morte é o meio mais brutal e imbecilizado de se "resolver" alguma coisa, e pelo meu entendimento, nada resolve, ou retarda o problema, ou o agrava. Os caras contribuiriam muito mais se estivessem vivos, até para que se chegasse aos "verdadeiros" responsáveis não apenas por este atentado, mas por outros.


Lembro-me que na noite da morte de papai, minha tia (irmã dele), ficou sabendo da morte dele por dois pistoleiros que apareceram na frente da sua casa e a questionaram sobre quanto ela estaria disposta a pagar para vingar a morte dele. Sabiamente ela disse que não queria se vingar. Todo tipo de vingança que vise por fim à vida é tola!

Sou daqueles que acredita que não fomos criados para a morte, eis nossa enorme dificuldade com a mesma. Mas o certo é que morreremos, ao menos, meu desejo é que cada um tenha uma morte natural, e não que seja vítima da vingança ou do ódio alheio.

Paz é algo inegociável.

E pensar que o grande poeta da música brasileira "canta": "eu troco a minha paz por um beijo seu", em outras palavras entendo que ele diz: "eu troco minha paz pela morte".

João Vicente Ferreira Neto

Morte, Assassinato...




Morte, Assassinato...

Sempre que vejo algo envolvendo isto é inevitável não me reportar as 22h30 do dia 09 de outubro de 1992, no bar Paraíso no bairro Recanto do Sol, Anápolis, Goiás.

No dia da morte e assassinato do meu pai, ainda criança, sem entender muito o que estava acontecendo eu pude aprender que o mundo não se limita à direita onde estava o assassino do meu pai, nem a esquerda onde estava meu pai, pois na última bala aquele que estava a esquerda foi ao chão, e o que estava a direita correu para trás, naquele dia eu escolhi ir adiante, seguir em frente, olhei para cima pedindo uma direção, e a direção que veio do centro, lá do alto foi: segue adiante, vai à frente e lute enquanto puder com todas as suas forças para salvar aquele que você ama...

Que ironia, lembro-me que ao subir na garupa da moto de um conhecido que me ajudou a ir buscar socorro para tentar salvar papai, eu pude olhar para trás e ver um homem fugindo com muito mais pavor, angústia, tristeza e medo, o Luís Carlos (um nome bonito - o nome do assassino do meu pai), parecia fugir não da polícia ou de qualquer vingança da minha família, mas parece que ele fugiu do que não se pode fugir, de si mesmo.

Não tenho pena, não tenho ódio dele, tenho tristeza, pois imagino o quanto a sua alma, o seu ser e seu coração estavam cheios de amargura, profunda tristeza e dor, pois aquela "vida" que ele levava não era "vida", mas sim morte, e naquela noite era apenas mais uma das tantas que ele ceifou.

Eu olhei adiante, tentei, mas 8 ou 10 horas depois, não me recordo bem, a vida sucumbiu à morte, para qualquer pessoa pode ser mera tolice, mas eu me sinto um pequeno herói por olhar adiante e ajudar meu querido e amado pai a lutar, resistir e viver, ainda que por apenas mais algumas horas. Mas era chegada a sua hora, e aquelas horas serviram para que eu nunca me esqueça da esperança, mesmo que ela tenha um fim.

"Deus nos dá pessoas e coisas, para aprendermos a alegria... Depois, retoma coisas e pessoas para ver se já somos capazes da alegria sozinhos... Essa... a alegria que ele quer" ~ Guimarães Rosa

O mundo não é só esquerda ou direita, há centro, há chão, há céu, há passado e há o horizonte, o adiante, o presente e o amanhã...

João Vicente Ferreira Neto

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